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CURSOS DA USP: ENGENHARIA DE MINAS BUSCA RIQUEZAS MINERAIS DO PA√ćS

Sentado em sua mesa, o professor Eduardo Sansone é capaz de apontar diversos objetos que têm algo em comum: a origem mineral. "A própria construção deste prédio: areia, pedra e cimento, é de matéria-prima mineral", diz.

Como coordenador do curso de Engenharia de Minas, Sansone reconhece que a mineração, por estar na base da cadeia produtiva, aparece para muitos como algo distante. "Naturalmente, isso gera um conhecimento menor do curso", explica.

Grande, no entanto, é a demanda por profissionais que atuem nesse setor: a Escola Politécnica (Poli) da USP forma engenheiros de minas desde 1960, no curso oferecido no campus Cidade Universitária, em São Paulo.

Apesar de alguns avan√ßos serem mais lentos nesse ramo da engenharia, ela tem a vantagem de envolver os profissionais nas diversas etapas produtivas relacionadas √† minera√ß√£o, desde a pesquisa para identificar a viabilidade de uma extra√ß√£o at√© a venda do mineral para a ind√ļstria.

"Vemos desde o começo até o fim da produção, não nos limitamos a uma parte específica. Mesmo que a tecnologia seja mais antiga, os problemas são sempre novos", conta Renato Oliveira, engenheiro de minas formado pela Poli em 2011.

Esse processo tamb√©m inclui estar em diferentes regi√Ķes da Brasil e saber lidar com as popula√ß√Ķes locais, tendo como responsabilidade √°reas de extra√ß√£o que podem gerar grandes impactos ambientais.

Mercado de trabalho

Os campos de atua√ß√£o da Engenharia de Minas acompanham desde a busca por dep√≥sitos minerais e a lavra (extra√ß√£o), at√© o tratamento que vai adequar a mat√©ria-prima para entrar na cadeia produtiva, j√° que alguns minerais precisam ser purificados ou ganhar maior concentra√ß√£o antes de serem aproveitados pela ind√ļstria.

Ao longo desse processo, a recupera√ß√£o ambiental e a aten√ß√£o com a seguran√ßa e a sa√ļde da equipe tamb√©m devem ser preocupa√ß√Ķes dos engenheiros de minas. O curso abrange, assim, uma s√©rie de atividades bastante diferenciadas, que se aproximam de √°reas como a geologia, a qu√≠mica e a engenharia civil.

No sul do Pará, região de Carajás, Renato trabalhou com a produção de cobre da mineradora Vale, coordenando desde a britagem, primeira etapa da fragmentação do minério, até a filtragem, quando o concentrado de cobre está pronto para ser vendido aos clientes.

Hoje, em Belo Horizonte, o engenheiro trabalha na parte de desenvolvimento de projetos da empresa, com planejamento de novos empreendimentos ¬ó o que inclui quest√Ķes de seguran√ßa, infraestrutura e at√© do departamento jur√≠dico. "O projeto em que estou trabalhando agora deve demorar de tr√™s a quatro anos para ficar pronto", conta.

Minas em S√£o Paulo?

O Brasil está entre os grandes produtores do setor mineral no mundo. Apesar das maiores áreas de extração mineral estarem, respectivamente, localizadas nos estados do Pará e de Minas Gerais, há bastante campo no Estado de São Paulo — que entra em terceiro lugar na lista.

Isso se d√° pelo setor da constru√ß√£o civil, que se abastece de recursos minerais como granito, calc√°rio, basalto e areia, usados para produ√ß√£o de concreto, cimento e outros materiais. ¬ďO Estado tem uma urbaniza√ß√£o acentuada e demanda essa mat√©ria-prima¬Ē, lembra o professor.

Renato, por exemplo, realizou est√°gio na Pedreira Embu, que atua na regi√£o da capital paulista. L√°, p√īde acompanhar os processos de desmonte das rochas, com a chamada cominui√ß√£o ¬ó fragmenta√ß√£o dos min√©rios, que podem passar por processos como britagem, peneiramento e moagem, de acordo com a finalidade do uso.

Universidade

A Engenharia de Minas, assim como as outras engenharias, oferece uma formação básica antes de se aprofundar em disciplinas específicas. Há dois anos, é possível optar pelo curso logo na inscrição do vestibular e, desde 2013, são oferecidas 40 vagas — o dobro de antes.

Para quem quiser se aprofundar na área acadêmica, a Poli oferece o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mineral (PPGEMin) com os níveis de mestrado e doutorado.

Uma iniciativa dos alunos de gradua√ß√£o para divulgar o curso foi a cria√ß√£o do USP Mining Team, equipe formada para participar de competi√ß√Ķes, como os Jogos Internacionais de Minera√ß√£o.

Larissa Peres, aluna de Engenharia de Minas da Poli, foi uma das respons√°veis pela forma√ß√£o da equipe. Durante interc√Ęmbio feito na Austr√°lia, ela teve a oportunidade de participar de um jogo local de minera√ß√£o e percebeu que essa era uma quest√£o cultural forte no pa√≠s.

Quando voltou ao Brasil, procurou saber se equipes nacionais participavam da competição. "Eu vi que tinha apenas uma equipe representando o País e a América Latina nos Jogos Internacionais. Me perguntei o por quê de a USP não estar lá, sendo que é a maior e melhor universidade brasileira".

Em agosto, o time da USP conquistou o primeiro e o terceiro lugares nos Jogos Miner√°rios promovidos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quer saber mais sobre o curso?

A Escola Politécnica (Poli) da USP está localizada no campus Cidade Universitária, em São Paulo. Confira:

  • Informa√ß√Ķes sobre o curso
  • Grade curricular
  • Formas de ingresso

Engenharia de Minas

Período: Diurno
Total de vagas: 40
Vagas via Fuvest: 35
Vagas via Sisu: 5

Vestibular organizado pela Fuvest: inscri√ß√Ķes encerradas
Sisu: as inscri√ß√Ķes para sele√ß√£o de 2018 ainda n√£o foram abertas, mas acompanhe pelo site do MEC ou da Pr√≥-Reitoria de Gradua√ß√£o
Fonte: Jornal USP

 

Fonte: mining.com